
Mensagem a Não
Violência.
A violência não deve gerar mais violência
para que a mesma não continue a se estender, envolvendo esta sociedade
responsável, mas irresponsável no seu ato de proteger os indefesos
da crueldade humana.
A causa primeira é a educação elitista existente. A
minoria desfruta da melhor assistência e a maioria é desprezada
e despreparada para viver socialmente.
A penúria gera revolta, rancor, vingança e paga o inocente
que, traumatizado, sofre duras consequências e passa a descrer de seu
direito de liberdade tão enaltecido pelos maiores.
Devido à violência, a sociedade está enfrentando, a cada
momento, agressões que deixam marcas profundas nas vítimas
de agressores insensíveis aos sentimentos humanos.
Destituídos de consciência, permitem-se tudo poder, tudo fazer
sem medo de represálias, pois, no momento, a justiça dos
homens está falida, carente de reformas e adequação
a esta sociedade violenta que vem se estabelecendo, com o aumento da
miséria.
Esta gera revolta, manifesta nos atos dos menos favorecidos pela
educação e pela assistência por parte daqueles que deviam
tudo fazer em termos da ordem e do progresso do país, do estado, da
cidade e da comunidade.
O resultado é a grande crise que se abate sobre a sociedade em agonia.
O momento é de extremo perigo.
Se a violência não for contida, disciplinada, graves
conseqüências se abaterão sobre a sociedade, sobre a
família e sobre as comunidades desejosas de paz, de tranqüilidade
e de harmonia.
Olhem as conseqüências funestas das violências praticadas:
assaltos, lutas, agressões a velhos, mulheres e crianças.
Todos estão a mercê da índole malévola de tantos
que fazem parte da marginalidade social.
Tudo está a descambar.
É caro o preço do direito à liberdade.
É proibido o direito de ir e vir.
É violado o direito à privacidade.
Inexiste a segurança domiciliar e nem o direito de propriedade é
mais respeitado.
Que mundo é este que estamos a construir quando falamos em Nova Era,
Novo Amanhã, quando tantos são injustiçados, violentados
e agredidos nos seus direitos humanos?
É sério o nosso momento!
É necessário parar, pensar, refletir e reconhecer que,
voluntária ou involuntariamente, somos coniventes com tudo que aí
está.
Conscientizemo-nos que cabe cooperarmos para um Mundo Melhor, assistindo
à miséria que desce do morro e se instala junto de nós
a clamar pelo pão, pelo remédio, pela esmola, pelo abrigo,
pela proteção, pela escola.
Se nos mantivermos surdos aos apelos da miséria, do abandono, não
poderemos, no amanhã, responsabilizar os que fazem uso da violência,
da agressão na conquista de seu espaço, por ínfimo que
seja.
Estamos a erguer a bandeira da solidariedade, da fraternidade que mudou de
nome, renunciando ser chamada de caridade cristã.
Somem-se aos idealistas, aos trabalhadores por uma sociedade digna, respeitosa,
humana , fraterna e estarão participando da construção
da sociedade Nova Era, baseada no princípio da responsabilidade
consciente.
Igrejas, associações, comunidades, se façam uma frente
de trabalho pela extinção da miséria.
O Pai os abençoará e terão a paz interna por " servirem
amando".
Trouxe a minha esperança por um mundo melhor, para o coração
de todos vocês.
Gritemos bem alto:
" que a miséria se faça experiência de um passado
de dor".
Que assim seja!
Frei Celso
Recebido pela Nydia
em 05/05/2000
Revisado p/Enoy
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