" CONQUISTANDO A LIBERTAÇÃO "
Sinhazinha foi muito ruim com os "nego" da fazenda. Não perdoava faltas, nem transgressões, por menores que fossem.
O castigo lambava nas costas dos negros e depois o sal era usado como remédio.
O doutor sinhozinho só queria se divertir e farrear com as negrinhas, só as mucamas "veias" é que escapavam do sonho do sinhô, pois ele nunca gostou de velha, ele mesmo dizia que o bom era carne fresca e rija.
Nunca deixou faltar prenda para as suas preferidas e até algumas regalias concedia-lhes, mas nunca protegeu da fúria da sinhá. Cada um na sua, "pra podê vivê em paz".
Como passou o tempo, e não ficamos parados, muito temos aprendido, e a verdadeira libertação se faz no nosso coração, que se faz leve ao perdoar tantas dores e sofrimentos. Vamos, vamos lá que esse povo é valoroso, e muitos já libertamos dos grilhões do ódio e da vingança.
Muitos de nós continuam na busca e resgate de irmãos queridos, perdidos nas trevas da ignorância.
Obrigado a sinhazinha que cresceu e floresceu, muito tem feito pela causa da libertação.
Não esquecemos que somos uma família espiritual e continuamos nossa luta pela libertação de nossos grilhões de um passado distante.
Nada como um dia após o outro. É a vida a renascer em esperança e paz para todos nós, e para aqueles a quem buscamos ajudar através da conscientização e do amor em nosso Criador, que tantas lições nos deixou.
Amadurecemos na dor e crescemos em consciência e amor.
Que assim seja.
Recebido pela Márcia Gressler em 11.01.2004
Revisão: Clovis
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