Coragem

A dor do Mundo me comove

A piedade se apossa de mim

Por que chora o homem

Na sua desesperança?

Vejo o velho trôpego

Cair pelo caminho

Indiferentes outros passam

Nem oferecem carinho

Pobre filho solitário

Só o Pai lhe faz companhia

A criança da rua

Suja, pés descalços

Em desabrigo

Recolhem papel, papelão

Lata, garrafa, jornal

Pensando sobreviver

Com o fruto de seu esforço

Lutador infatigável

Seus dias são bem iguais

No final do dia

Cansaço, cachaça para adormecer

O corpo cansado

Os pés doloridos

As mãos calejadas

Do esforço do dia

Pergunta-se, por vezes

Até quando terei que empurrar

O pesado carrinho

Para sobreviver

Tem força para brincar

Pedindo da um troco tia

Não magoa-se mais

Tanta dor e procura

Vá a onde vá

Nasceu sem estrela

É uma esquecida da boa vida

Será que crescerá?

Que terá um amanhã?

Só Deus sabe o destino

Deste pequeno que deveria

Ter o nome de "Coragem"

Dói ver Irmãos

Puxando, empurrando

Seu carrinho de esperança

Todas estas vidas

Resgatam passados

De orgulho e prepotência

Mas dói o coração

Vê-las viver sem esperanças

Pensando serem injustiçadas

Esquecidas pelo Pai

Não choram mais sua desdita

Não revoltam-se com a sina

Que os fazem parias sociais

E que tem a solidão por companhia

Na penosa vida que escolheram

Para um dia se fazerem

Libertos

M e s s i a s

Recebido por Nydia - 09.04.2002

Revisão - Jairo

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