Culpa
É o ato pelo qual, olho a realidade com ótica da objetividade,
olho para mim mesmo sem me sentir, fico fora de mim a analisar um ato ou
gesto qualquer que cometi.
Procuro uma justificação para um momento, que geralmente não entendi e que não foi bom, como eu queria. Como não posso suportar a dor daquele momento e sem poder explicar, elejo um bode expiatório, que vai carregar a culpa por um tempo mais ou menos longo; ou infinito.
Me coloco como responsável pelo gesto e consequência, que não entendi, mas que precisa ser justificado.
A justificativa. Bem, essa tal justificativa, é algo que as vezes precisamos. Carregamos ela como uma pasta de primeiros socorros, que atende a quase todos os males.
Mas e a culpa?! É, a culpa é tudo isto. É quando vivi um momento sem sentir a mim mesmo, as vezes meio despedaçado. Distante de mim, recolho as vozes da platéia que sempre condena e gosta de ver o circo pegar fogo. E tudo isto, tomo como verdade.
Certo ou errado, o que faço é uma projeção de mim mesmo e o sentimento de culpa é o processo de congelamento da imagem. Transformo aquele momento em um pássaro empalhado, guardado em minha permanente lembrança.
O fim da culpa é retorno as nossas emoções, com a certeza de que temos o direito de acertar e também de errar. É sentir o tempo como uma longa caminhada, em que caímos, mas não precisamos permanecer imóveis, submissos a falta de carinho para conosco mesmos.
24.02.1998.
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