" DESABAFO "

Quisera merecer uma oportunidade de dizer das minhas dores sem pejo, sem medo à crítica, à condenação ou julgamento, contando exclusivamente com o entendimento de quem me ouvisse. Infelizmente não tive este merecimento e, como resultado, arco com minha total responsabilidade pelos meus atos e suas conseqüências.

- Saberei me desculpar? Espero que sim, caso contrário terei aumentado minha tortura, que não era pequena e me deu a dimensão de um potencial psicológico: como sou frágil diante de certas dificuldades, como sou carente de que me amem e demonstrem este amor, como a solidão me dói e careço de aconchego, embora não pareça e dê a impressão de vitoriosa e poderosa.

Mentira minha, pelo contrário, gostaria de poder dizer bem alto, não quero ficar só, estou com medo, ansiosa de paz e harmonia dentro de mim.

-E o que faço?

Calo, me obrigo a ser forte não sendo, a ser corajosa para suportar meu momento, depois de ter esperado por tanto tempo encontrar a felicidade e a paz.

Fiquei sem escolha, não estar, não sentir, não sofrer pensamento constante que fragilizassem minha pouca fé e me levassem a me agredir, para fugir da dor e do sentimento de inutilidade de todo meu esforço de bem viver, acabar e não protelar a expectativa do amanhã incerto.

Frustrada, mas feliz me encontro agora, quem sabe o amanhã me reserve à surpresa de me amar para ser amada.

O nevoeiro ainda envolve minhas emoções, mas há sinais de que o sol se manifestará e a luz se fará no meu caminho.

Ajudem-me a me reerguer da minha caída, pois tenho medo das próximas horas, quando terei que me comprometer comigo e com os demais que constituem meus companheiros de caminhada.

Sofri, mas não quero continuar a sofrer, quero paz e amor.

J

Recebido pela Nydia em 14.4.2004

Revisão: Clovis

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