Os Esquecidos


   Somos os esquecidos, os ignorados, freqüentadores dessa Casa, que se propôs libertar os escravizados à vícios e com desordens emocionais que deixaram marcas profundas em nossos corpos.
   Precisamos agredir, violentar, adoecer os corpos de vocês que se dizem trabalhadores do plano espiritual, para sermos sentidos, ouvidos, oportunizados a falar, à dizer de nós.
   Quanto desaponte para quem foi iludido a crer que teria a ajuda que se faz necessária no momento.
   Quanta decepção ao buscarmos carinho, ternura, amor, solidariedade junto de vocês, à quem fomos encaminhados para buscar recursos para nossos males, doenças e fragilidade.
    Ficamos mais doentes, mais magoados e ressentidos quando a desconsideração se faz, principalmente por aqueles que pensam serem espiritualizados, evoluídos, perfeitos.
    Uma dor profunda se instala em nosso peito, nossa alma decai, a desesperança apossa-se de todo nosso ser e choramos...
Vocês ouvem?...
Vocês percebem?...
Ouvem nosso apelo, nosso grito dorido de socorro?...
Não...pois estão preocupados exclusivamente em resolverem seus problemas, criados pela invigilância, o desamor para consigo mesmos.
    Muitas vezes não nos ajudam e nos sobrecarregam de culpas, dizem e acreditam serem assediados, cobrados, jogam culpas nos espíritos inimigos, obsessores, cobradores, que os fazem vítimas de maus tratos e de relacionamentos negativos.
    Não seria, antes de responsabilizar, responsabilizar-se pelo seu momento de infortúnio, dificuldade, desarmonia que o faz infeliz, desiludido, carente?
    Sabemos que a falta de disciplina é fator que dificulta, mas ela também poderá ser conquistada, desde que o homem se proponha. Então sim, será capaz de criar tempo para estar consigo, procurando bem mais se souber de si, conhecer-se, para programar sua reforma e crescimento, no seu projeto de evolução.
    Habituado à disciplinar-se, disciplinará seu tempo e terá condições de se fazer o escriba fraterno e cristão.
    Ainda pouca é nossa penetração na comunidade dos homens dada a sua característica dispersiva; há pouco hábito de somarem-se, de estabelecerem programas direcionados à conquista de valores e programação para o ato de viver coletivamente, de dividir com companheiros de caminhada o que tem, possuem em saber e conhecimento.
    Um dia, após o aprendizado, se darão conta que responderam cristãmente ao apelo recebido: "VEM E AJUDA".
    Ouçam esse apelo, de tantos de nós que servimos, amando ao Cristo.

Que assim seja.
Mateus,

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