O tempo ensina o homem, a conciliar duas vertentes íntimas, uma que destrói, outra que constrói, traçando no campo emocional uma representação destas forças.
A personalidade, na criança, se funde com a personalidade dos pais, incorporando certas tendências, que perturbam a percepção da realidade.
Esta percepção, afetada, faz da experiência sua realidade, sem a plena capacidade de filtrar e analisar, aquilo que não serve.
É uma criança, ainda livre, no cortejo das ansiedades e obrigações impostas pelos pais, fazendo-se escrava, na ilusão de que tudo isto é essencial.
Como viver, alimentando forças opostas, que montam e desmontam, a cada momento, a integridade emocional.
A solução é libertar-se do pai e da mãe.
Cobro de meus companheiros ou tento estabelecer com eles, os mesmos laços, bons ou maus, que construi na infância, sem saber me desprender do que não serve mais.
Fico com uma dependência que me aprisiona, em busca de uma realização impossível.
O tempo não vai para a frente e tento sempre retornar, retornar, retornar, tentando inverter o fluxo das águas do rio da vida.
Nada vai voltar, nada acontece de novo. O que eu preciso é sair do ovo, do útero, e me lançar no desafio de minha própria experiência, construindo com quem vive comigo, agora, a ternura e a paz de se sentir bem.
Apagar sombras e mágoas, que perpetuam o som fúnebre de um passado, no qual enterro toda minha força de vida.
Pense, pense, e pense...
De quantas coisas depende tua felicidade?
Pare e sinta.
Liberte-se das impressões internas, que aprisionam teu coração.
Sinta você mesmo.
Vença o medo e sua angústia.
Liberte-se para viver toda a sua forca adormecida de sua paz, que clama por uma chance de nascer, plena, em você.
Jairo Xavier de Oliveira
29.07.97
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