"Mensagens de Chiquinha"

Reflexão.

Não posso compreender situações acontecerem.
Retarda-se no tempo o vôo a empreender.
Desconfortável sinto-me no corpo que me abriga.
Vontade dele fugir e ir ao infinito.
Por que amarras tão fortes a ele me prendem?
Não consigo liberta me fazer.
Abandono-me à Vontade Superior, cheia de esperanças.
Nada acontece...Continuo presa, prisioneira,
Almejando de algemas me libertar.
Conheço caminhos floridos,
Fontes vivas a marulhar,
E a tudo a iluminar.
Mas distantes...posso dizer inacessíveis.
Gostaria de , livrimente, sem nenhum aprisionamento,
Ir. Ficar lá no Infinito.
O acesso não me é concedido,
E há dor no ficar.
Só meu pensamento é livre.
Leva-me a lindas paragens.
Relembra momentos felizes.
Repasso, recordo sonhos, fantasias.
Fujo da dura realidade,
Da impotência, da dependência,
Choro, dores, ressentimentos e mágoas.
Eu me pergunto, porque assim?
Tão esquecida, tão solitária de mim.
Quando raiará o novo dia
Que estou cansada de esperar.
Leve voarei e não penalizei deixar
Os que um dia amei
E tanto fiz sofrer.
Agora, o bom sono vem e anestesia a dor,
A dor dentro de mim.

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 14/06/2001.



A desconhecida.

Andei vagando pelo espaço.
Fiquei meditando certo tempo.
Tempo? ...Ele não existe.
Se confunde com o eterno.
Descobri que não tenho idade, sexo, pátria definitivos.
Sou e fui e serei.
Quando?
Minha galeria de papéis
É rica de ocorrências,
É sofrida de consequências,
Pergunto constantemente:
Qual será o amanhã?
Onde será realizado?
Qual será meu novo papel?
Como o representarei?
Onde será meu novo palco da vida?
Ai neste planeta de dor?
Aqui neste mundo de paz?
Não sei, nada me dizem do meu amanhã.
Só sei que ele se avizinha
Lentamente, subtilmente.
Ninguém vai impedi-lo que se estabeleça.
Serei então liberta das amarras
Que me prendem à vida,
Esta vida que não amei
Por não saber me amar,
Por não me reconhecer obra Divina,
Na criação do Eterno Pai.
Há luzes no meu caminho.
Onde elas me levarão no meu amanhã?
Não sei, só sei que sou uma caminhante
Que desconhece o destino de sua jornada evolutiva.
Mãos me acarinham.
Vozes me animam
A esperar esta grande espera
Que aflige e tortura,
Necessárias para que me liberte
Deste corpo exânime e de mim,
A desconhecida, por tão pouco saber quem fui, sou e serei.

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 06/07/2001


Uma Voz me dizia...

Eu ia indo devagarinho.
Meus pés no chão não tocavam.
Para que? se voar podia?
Voava, voava, e depois,
Surpresa me via
Sentada, frente ao mar.
Uma voz me dizia:
Respira, absorve esta energia.
Ela te anima e estimula.
Precisas ter ânimo
Para a continuidade eterna
Que não se rompe
Na passagem para a Vida Maior.
O tempo se escoa, calmo, tranquilo.
Eu me deixo invadir
Por uma nova paz dentro de mim.
Vejo pássaros voando em circulos
Numa coreografia linda.
Um sentimento de amor por mim.
Recolho-me ao mais profundo
Do Ser que sou ouço-me rezar:
"Senhor Meu Pai!
Obrigado por me teres criado,
Por existires em mim
E por nunca me abandonares,
Reconhecendo que sou Tua Filha em penitência.
Abençoa-me para que possa
Conviver com a paz e a harmonia
Que ainda não desfruto.
Que assim seja!"

Acabo de acordar deste lindo e máginco momento que vivenciei na condição de Ser livre que sou na minha essência divina.
Obrigada pelo carinho de tantos e pelo preocupação com o bem estar deste corpo que me abriga no meu processo de resgate e evolução.

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 09/08/2001



O Vale da Solidão

Hoje eu quero falar do Vale da Solidão.
Lugar frio, sem cor, sem som e quase sem luz.
A tristeza nele impera. O silêncio é assustador.
Há seres de todas as idades: velhos, jovens e crianças,
Destituídos de esperança, olhares fixos no vazio,
Solitários, sem comunicação.
Lúgubre é o local. Não há movimento.
Os habitantes parecem estátuas na sua imobilidade,
No não pensar, no não agir.
Sentem profunda nostalgia. Fixam-se num sentir
De abandono e incapazes se fizeram.
Desinteressados, fecharam-se ao pulsar da vida.
Parecem vegetais. Não se sente nada a não ser o silêncio.
O momento se eterniza. Se faz permanente,
Negando o amanhã.
Dá um dó imenso assistir o que fizeram de si
Por não se terem libertado da dor, da mágoa, do ressentimento
Fazendo-se vítimas sofridas,
Excluindo-se do processo de recriar a vida.
Sem nenhuma esperança.
O vazio os absorveu.
O silêncio e a incomunicabilidade imperam nesta comunidade onde a vida não pulsa,
Porque todos se admitiram mortos e morto não vibra.
Seu coração não pulsa. Sua mente não cria.
Admitem que a vida acabou. Não perceberam a eternidade.
Se deixaram iludir de que tudo é findo, acabado
Na trágica ilusão que a morte os arrebatou da vida, de seus amorese que tudo é findo.
Não percebem que é sua própria criação.
Quando o instrutor incidiu sobre eles
Uma pequena centelha de luz, alguns olhos se abriram.
Vi mãos se crispando. Sons abafados ouvi.
Surpresos, alguns movimentos faziam.
Apagada apequenina chama, tudo voltou ao normal;
Silêncio profundo no Vale da Solidão.
Perguntei-me, até quando permanecerão ilusoriamente mortos,
Sem terem renascido suas esperanças?
A resposta trágica de todos se ouvia...Nunca!
Somos os esquecidos, os desamados, os rejeitados, os incompreendidos,
Aqueles que nunca deveriam ter nascido por se terem rejeitado, desamado, desconsiderado.
A morte os transformou em parias, em sombras.
Negam-se a viver após a benéfica libertação.
Uma lágrima aliviou meu peito dolorido.
Agradeci ao Pai a minha eternidade,
O meu momento de transição: um grande aprendizado de viver.
Morrendo e renascendo, consciente de que a vida continua.
Eternamente,
E que a Morte é Vida.
Me emocionei.
Resultei cansada e fui revigorada
Nas minhas fracas energias que se alteram.
E assim será
Até a hora da partida!

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 18/08/2001


Sou Voz

Sou voz, sombra.
Emoção eu sou.
Vibra este coração
Cansado de bater.
Até quando assim será?
Pergunta sem resposta.
Estou a questionar.
Cerro os olhos
Para o mundo que me cerca.
Não me perguntem
O porquê de tudo isso...
Não sei, tudo sabendo
E pouco ou nada entendo.
É a Lei da transformação.
Pareço a borboleta
Nas susa fases de mutação.
Como ela, um dia,
Leve voarei e
Não mais retornarei.
Outras plagas me aguardam.
Sentirei saudades?
Não sei. Só saberei
Quando o fio
Que me prende a vida
Romper-se definitivamente.
Cumprida sua tarefa, este corpo,
Sacrário do meu espírito,
Leve transparente,
Sem bagagem que queimei.
Voarei para junto
de velhos amores,
Mestres e amigos.
Voltarei um dia?
Não sei!
Será um novo amanhã...
Desconheço a futura programação
De um novo viver.
Estarei tranquila.
Deixei angústias e saudades
Afastarem-se de mim,
Para que a paz e a harmonia
Se apossem de mim
E possa , enfim,
Descansar.

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 07/09/2001


Evoluindo

A vida não cessa.
É pura energia
Que magicamente
Se transforma.

Passei por todos os reinos
Na minha evolução
Conquistei o direito
De me fazer humana.
Para poder me aperfeiçoar
À imagem do Criador.

Difícil a caminhada
Eivada de esperanças,
Dor e desencanto.
Quantas sandálias gastei
Nas minhas torpes caminhadas

Deixei minhas pegadas
Por onde passei.
Pegadas que não demarcaram trilhas
A serem seguidas
Por meus irmãos de caminho.

São tortuosas, difíceis,
Cheias de espinhos
A ferir os pés,
Machucando alma ferida
E coração partido,
Poderia chamar
O meu caminho:
O caminho do desencanto.

Por onde passei,
Deixei pedaços de mim.
Poucas vezes conheci
O amor, a ternura, o afeto
Que fazem o homem feliz.

Faltava a mão amiga,
O colo aconchegante,
A ternura no olhar
De quem pensava me amar.

Lágrimas rolaram
Nas faces que tive.
Sequei-as raivosa,
Triste, amargurada
Dependendo de quem feria
Meu coração partido
Por desamor, carência
Desilusão, desesperança.

Olhando agora
Com a paz que conquistei,
Me faço grata
A todo este sofrer
Que se fez passado.
Espero apagá-lo
Para poder reiniciar a caminhada
Livre do fardo da mágoa,
Da dor e do sofrimento.
Me fiz livre do ontem,
Esperançosa de um novo amanhã.

Me farei
Uma pequenina estrela a brilhar.
Mostrarei minha nova estrada,
Semearei flores no trajeto
Para que o perfume
Possa inebriar passantes
Que poderão seguir
Minhas novas pegadas
Na estrada chamada Libertação.

Chiquinha.
Meus filhos, minha paz para vocês.


Recebida por Nydia
Em São Paulo, 28/09/2001



Buscando a Luz

Momentos de luz e de sombra.
Momentos de paz e de sofrimento.
Quando aluz se apaga
E, perdida me encontro,
Procuro a luz que ilumina
O meu caminho.
Esquecida, perdida
Entre tantos que percorro
No aprender me bastar,
Há caminhos floridos
chamados Esperança.
Há ingrimes, pedregosos,
Mágoas, ressentimentos
Renascida, caminho por estes caminhos
De olhos bem abertos.
Tudo vendo, observando,
Para não mais permitir
Andar por atalhos que nada levem,
A não ser retardar-me
Na minha caminhada
Em direção à luz, á paz,
Ao meu encontro marcado
Com o Cristo Libertador.

Chiquinha.
Recebida por Nydia
Em São Paulo, 08/10/2001

 Página Inicial  | História | Oração  | Depoimentos  |  Links



Copyright © 1997, 2001 Guia Internet Brazil Ltda.