Reflexos da Guarra
No estrondo das bombas
O pânico é total
E um sentimento de morte
A todos domina
Quem sabe por última vez
Reunidos agora estão
Uma sensação de impotência
Toma a todos, no fundo da alma
O que irá acontecer
No minuto próximo
Quem sobreviverá
Ao poder sombrio das bombas
Que tudo arrasa e extermina
Quem teria ousado se fazer
Autor de tão maligno progresso
Onde estariam seus sentimentos e amor
Provavelmente não existiram
Palpáveis para que os reconhecesse
Pensaria nas conseqüências funestas
Que adviriam do seu emprego
Dando ênfase ao poder do possuidor
Esmagando todos aqueles
Que seriam subjugados
Não é crível que tivesse consciência
Pois teria desistido de sua criação
Não se fazendo responsável intelectual
Deste poder de destruir
Matar, subjugar, dizimar
Vidas, cidades e países
Visados pelos poderosos e furiosos
Com sede de domínio e poder
A cada guerra os instrumentos da morte
São mais aperfeiçoados
Forjados com maior alcance
As vítimas são homens indefesos
Avessos às lutas fratricidas
Que clamam pela paz
E amam o espaço de chão que habitam
Infelizmente nada os salvará
Da sanha destruidora dos senhores da guerra
Ceifadas são suas vidas e esperanças
E quando sobrevivem se transformam
Em párias sociais, que ora são
Resultam em farrapos humanos
Os homens do após guerra
Mutilados, incapacitados
Desesperançados, excluídos
Incapacitados de viverem livremente
Sem chances, se fazem dependentes
Carregam a desesperança
Alimentam ressentimentos
Tornam-se amargos e desconfiam do amor
Fogem da solidariedade
Escondem suas misérias humanas
Tornam-se seres sem auto-estima
Envergonham-se do que resultaram
Pelo desamor dos homens seus irmãos
*Quando contarem sua desdita
Envergonharão-se por não terem se tornado heróis
Então uma lágrima sentida
Descerá em suas faces
E do coração brotará
Uma súplica de perdão
"Senhor perdoa-me por não ter morrido
Junto com meus irmãos"
Assim é a trajetória
Dos sentimentos humanos
De quem foi agredido
Pela guerra, sem nela morrer
Vendo o que restou de sua família
De seus amigos, de sua Pátria
Ensangüentada pelo ódio
Dos homens poderosos
Messias
Recebido por Nydia - 31.03.2003
Revisão - Jairo
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