O Tempo
Ainda não sou o condutor de meu destino, porque na minha bagagem, carrego poções, pessoas e bugigangas, com as quais não sei trabalhar.
Apegos que não me desvencilho, me seduzem por completo, mas não sei mexer com eles. No final, são apenas um peso que carrego.
É um peso horrível e formidável, sedutor e triste, porque da festa de hoje, surge a tristeza, a decepção, a dor, a culpa do amanhã.
É como uma tinta, que freneticamente, pinto um quadro escuro, no qual me desenho.
Sou pintor e a tela ao mesmo tempo, mas os movimentos não me pertencem, pois a arte da pintura pertence a vida, ao dia, ao tempo, e talvez, à morte.
Quando embarco na carruagem vazia do tempo, na ilusão que os homens estão buscando algo real, compartilho da caravana do nada, uqe conduz ao meu próprio vazio.
Nossa tela e identidade devem ser pintadas, com a consciência de cada minuto. Com a paciência da vida ao fazer crescer lentamente um frondoso tronco, que derrama a flor, como semente da nova vida.
Acima de tudo com a inspiração de nossa eessência, de Deus, de nossa individualidade, que se encontra ainda adormecida nos nossos confins, mas despertará a qualquer momento, para realizar a sua magnífica do amor.
Ao nascer deste momento, a dor não mais existirá, pois o homem será o senhor do seu destino, o capaz de suas horas, descobrindo que o tempo, pode ser o instrumento infinito de sua plena realização.
Jairo Xavier de Oliveira
01.06.97
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