O
açúcar branco é o resultado de um processamento
químico
que retira da garapa a sacarose branca e adiciona produtos químicos
- desconhecidos em sua maioria -, sendo
que aditivos como clarificantes, antiumectantes, precipitadores e
conservantes pertencem a grupos químicos sintéticos muitas vezes
cancerígenos e sempre danosos à saúde.
Devemos
considerá-lo como um produto quimicamente
ativo,
pois, sendo o resultado de uma síntese química e um produto
concentrado.
Quando
são retiradas da garapa e do mascavo suas fibras, proteínas, sais
minerais, vitaminas etc., resta
apenas o carboidrato, pobre, isolado, razão pela qual devemos
considerar o açúcar como um produto químico e não um alimento.

O
corpo humano não necessita de açúcar branco.
O que é realmente necessário é a glicose,
ou seja, a
menor partícula glicídica dos carboidratos.
A
glicose,
por sua vez, é importante para o metabolismo, pois produz
energia
ao ser ?queimada?.
Embora
se diga que ?açúcar
é energia?,
sabemos bem que a citação é apenas modesta, pois, na verdade,
deveríamos dizer que "açúcar
é superabundância de energia química concentrada"
e eis aí o problema: açúcar
é sempre excesso de energia, além das necessidades reais, e este
excesso tende a depositar-se, a exigir trabalho orgânico extra, a
diminuir o tempo de vida, pois a célula só usa o que necessita,
todo o resto passa a "estorvo" metabólico.
Outro fato importante é que, ao consumir um produto extremamente
concentrado, isolado, exigiremos do organismo uma complementação
química.
Por
exemplo, vai
exigir muito cálcio e magnésio do metabolismo e das reservas; ele ?rouba?
os nossos depósitos de um modo
diretamente proporcional a quantidade ingerida.
Podemos
dizer então que o açúcar é descalcificante, desmineralizante,
desvitaminizante e empobrecedor metabólico.
Açúcar
não é ?alimento?,
mas um poderoso "antinutriente",
um grande ladrão.
Razão pela qual Willian Dufty, em seu mais que consagrado livro
sobre o açúcar, o "Sugar Blues", considera-o como uma
?droga doce e viciante que dissolve os dentes e os ossos de toda uma
civilização?.
Seus
efeitos nunca são imediatos, mas
lentos, acumulativos, insidiosos, drenando a saúde aos poucos.
O consumo da droga doce vem aumentando nos últimos anos.
Se
levarmos em conta que não necessitamos de açúcar, tudo o que se
consome é excessivo, supérfluo, além do que o corpo
precisa.
Lembramos
que 100 por cento dos carboidratos (farinhas, cereais, açúcar das
frutas, etc.) transformam-se em glicose, 60 por cento das carnes
ingeridas e até mesmo 15 por cento das gorduras e óleos também se
convertem em glicose; é assim que normalmente mantemos as
necessidades bioquímicas do corpo.
Isso
explica por que povos antigos não necessitavam de açúcar
extra.
Se
julgarmos que açúcar é essencial, então devemos ter como certo
que cada viking, mongol, huno, árabe, grego ou romano deveria
consumir cerca de 300gr por dia de um açúcar que naquelas épocas
absolutamente não existia.
Os conhecimentos e conceitos científicos, principalmente em nutrição,
têm sido manipulados, truncados e adulterados.
Devemos
entender que a alimentação comum, sem aditivos doces, contém
quantidades suficientes de glicose que são armazenadas no fígado
sob a forma de glicogênio; em situações de necessidade essas
reservas de energia são mobilizadas e entram na circulação sanguínea.
Hoje,
ingerimos mais "energia" do que precisamos.
Paradoxalmente,
quem come muito açúcar fica dependente organicamente do mesmo e
tende a ter menos força.
Grandes
consumidores de açúcar geralmente são fracos, *astênicos (*Caracterizado
por constituição esbelta e desenvolvimento muscular fraco; ectomórfico.),
que não podem fazer quase nada sem usar um pouco de doce.
Aqui,
num dos maiores produtores de açúcar do mundo, (Brasil)
consomem-se cerca de 200
g por dia - por pessoa,
o que é pouco comparado aos EUA:
400 g em média, por dia.
É
claro que somos obrigados a falar em termos de média de consumo,
pois existem aqueles que não usam nada, até grandes viciados que
usam perto de 1000 g diárias e até mais.
Mas
um povo como o nosso, usando 200 g diárias per capita consome cerca
de seis
quilos por mês,
o que admite 72 quilos por ano, e tudo isso além das necessidades
metabólicas, geralmente ingeridos por puro "prazer", ou
seja: docinhos,
chocolates, sorvetes, tortas, pudins, sucos ultra-açúcarados
etc.

Isso
nos leva a consumir quase uma tonelada do pó branco em cada dez
anos de vida.
Então
um homem de 35 anos geralmente fez passar pelo seu sangue, até
hoje, cerca de três toneladas de açúcar.
Perguntamos
se, sinceramente, as autoridades e os profissionais ligados à saúde
acham
que tal abuso não causa dano algum.
Açúcar Branco Como Causa de Câncer e Doenças Modernas
Sabemos bem que o açúcar é o principal representante da alimentação
industrializada moderna.
Temos
consciência de que 85
por cento das doenças modernas são provocadas pela poluição
alimentar e por uma nutrição desequilibrada.
Por
ser considerado então como um produto antibiológico, ou antivida
-, ele está diretamente ligado à causa ou à colaboração para o
surgimento de várias doenças, como a arteriosclerose, o câncer, a
leucemias, o diabetes, as varizes, as enxaquecas, as distonias
neuro-vegetativas, insônia, asma, bronquite, distúrbios
menstruais, infecções, pressão alta, prisão de ventre, diarréias
crônicas, perturbações e doenças visuais, problemas de pele,
distúrbios glandulares, anomalias digestivas variadas, cáries dentárias,
problemas de crescimento, osteoporose, ossos fracos, doenças do colágeno,
doenças de auto-agressão etc.
Podemos considerar também o açúcar como cancerizante,
pois é imunodepressor, quer dizer, faz diminuir a capacidade do
organismo quanto às suas defesas e principalmente por eliminar o
importante íon magnésio, devido à forma excessiva como é
consumido hoje.
A incidência do câncer de mama pode variar consideravelmente de um
país para outro.
Muito
rara no Japão, por exemplo, a doença torna-se comum entre as
japonesas que imigram para os Estados Unidos.
Depois
de estudar diversos fatores que explicassem o fenômeno, os
cientistas Stephen Seely, da Universidade de Manchester, na
Inglaterra, e D. F. Horrobin, do Instituto e Pesquisa Efamol, de
Kentville, no Canadá, concentram suas atenções num deles, a
alimentação - e, em artigo publicado na última edição da
revista inglesa New Scientist, levantaram a hipótese de que uma das
causas do câncer de mama possa ser o açúcar.
Seely e Horrobin compararam os índices de consumo per capita de açúcar
e as taxas de mortalidade por câncer de mama em vinte dos países
mais ricos do mundo.
Revelou-se
que as nações que mais comem açúcar são exatamente as que
apresentam mais óbitos - por ordem decrescente, a Grã-Bretanha, a
Holanda, a Irlanda, a Dinamarca e o Canadá.
Os cientistas avançam uma explicação para as propriedades cancerígenas
das sobremesas.
Uma
parte da glicose contida no açúcar - cerca
de 30 por cento - vai direto para a corrente sanguínea.
Para fazer face e esse súbito aumento da taxa de glicose no sangue,
o
pâncreas produz mais insulina,
o hormônio encarregado de queimar açúcar.
O
tecido mamário depende desse hormônio para crescer.
O
mesmo acontece com as células do câncer de mama. Seely e Horrobin
supõem que a inundação do seio pela insulina, em seguida à
ingestão de açúcar, criaria assim as condições ideais para o
surgimento do tumor.
Açúcar
Como Fator Principal da Hipoglicemia e Diabetes
Um dos efeitos mais diretos dos excessos de consumo do açúcar é a
hipoglicemia,
ou
seja, falta de açúcar no sangue.
Hipoglicemia
é um distúrbio que se manifesta sob variadas formas, determinando
mais comumente langor, fraqueza, sensação de desmaio iminente,
vertigens, tonturas, prostração, angústia, depressão, palpitação
cardíaca, sudorese, sensação de irrealidade etc.
A
depressão provocada é variável, dependendo do indivíduo, podendo
ser ausente ou fraca ou até mesmo extremamente forte,
incapacitante.
Sabemos que muitas pessoas são tratadas pela psiquiatria e até
internadas por depressão, cuja
única origem é hipoglicemia,
ou falta de açúcar em demasia, e se pesquisarmos, grande parte
desses pacientes usa
muito açúcar.
O
mecanismo é muito simples:
ao consumirmos açúcar em demasia, o organismo, através das células
beta das ilhotas de Langherhans do pâncreas, produz
muita insulina,
que é o hormônio responsável pela "queima" da glicose
do sangue.
Ora,
quanto mais açúcar é consumido, mais insulina é produzida.
Com o tempo, e com o consumo continuado, o
pâncreas produz mais insulina do que o necessário, pois a sua
liberação depende da avaliação da intensidade de estímulos gástricos
e da dosagem de glicose proveniente do sistema porta e hepático.
Um
pouco mais de insulina determina queima a mais de glicose, gerando
falta.
O nosso organismo dispõe de um sistema de regulagem que mantém
entre 70 e 110 mg de glicose em cada 100 ml de sangue.
Mais
insulina do que o normal vai produzir uma queda destes níveis,
determinando hipoglicemia.
O
cérebro é o órgão mais diretamente afetado com isso, daí os
mais freqüentes sintomas de depressão, tremores, agitação.
O
tratamento em caso de hipoglicemia é o primeiro uma boa avaliação
e depois diminuição lenta do consumo de açúcar, paralelo a uma
dieta bem apropriada.
Quase
é necessário acompanhamento médico abalizado.
A evolução natural da hipoglicemia, embora muito variável, é o
diabetes.
Dependendo
de uma série de fatores o pâncreas pode entrar em "cansaço"
após anos de produção excessiva de insulina; ele começa
a produzir menos do que o necessário e como resultado começam a
aumentar no sangue os níveis de açúcar, determinando uma
hiperglicemia.
Nesta
situação os sintomas já são completamente diferentes da
hipoglicemia.
Aqui
o paciente não sente nada, a
não ser muita sede, muita vontade de urinar e talvez muita
fome.
O
açúcar circulante começa a ser depositado e os problemas do
diabetes vão surgindo.
Parece-nos importante que antes de pesquisar um vírus como causa do
diabetes, que
se compreenda a importância do excesso de consumo de açúcar como
gênese mais direta da doença,
talvez devido ao enfraquecimento biológico-imunológico que permita
a penetração de um vírus.
A
verdade é que as estatísticas e os estudos de médicos
integralistas apontam que diabéticos comuns consumiram muito doce e
que diabéticos insulino-dependentes tiveram parentes que o faziam
ou eram já diabéticos.
Dados
oficiais já apontam hoje que perto de 30
por cento da população do 1° mundo é pré-diabética e hoje
cresce o número de diabéticos no mundo.
O
Açúcar Branco é Apontado Como Principal Causa da Diminuição da
Resistência às Infecções, Subnutrição e Morte no Terceiro
Mundo.
Existe muita preocupação na diminuição da mortalidade infantil
no Terceiro Mundo, onde impera a desnutrição, a diarréia, e as
doenças carenciais.
Porém
não se tem prestado atenção à presença do açúcar como fator desmineralizante
e desvitaminizante, usado
em abundância na dieta das crianças nos países
subdesenvolvidos.
Vários
estudos têm mostrado que a quantidade de proteínas na dieta desses
povos é freqüentemente próxima daquela apontada pela FAQ como básica
para o desenvolvimento e crescimento (0,635 g por quilo de peso por
dia além dos dois anos de idade).
Então
acredita-se que a causa dos problemas relacionados com essas crianças
seria devido à má higiene, a agentes vetoriais de doenças,
verminose, falta de saneamento básico, leite materno fraco etc.
Estes são estudos mais modernos, pois até agora coloca-se que a
falta de proteínas na alimentação é causa determinante.
Na Califórnia, cientistas da Escola de Odontologia da Universidade
de Loma Linda provaram que o poder bactericida dos leucócitos
(capacidade das células de defesa destruírem bactérias) diminui
muito quanto mais alta a taxa de açúcar no organismo.
A
célula de defesa de uma pessoa que não usa açúcar é capaz de
destruir cerca de 14 bactérias invasoras, ao passo que se essa
mesma pessoa ingerir 24 colherinhas rasas de açúcar branco o seu
leucócito é capaz de destruir apenas uma
bactéria.
Existem muitos livros hoje publicados que apontam a ação negativa
do açúcar.
Num
interessante trabalho dos Drs. Wilder e Kay, denominado "Handbook
of Nutrition" encontramos a seguinte citação: "O
açúcar não supre coisa alguma à nutrição, apenas calorias. As
vitaminas oriundas de outros
alimentos são erosadas pelo açúcar para poder liberar
calorias".
Apesar das inúmeras provas contra o açúcar como as apresentadas
aqui, verificamos a continuidade de uma intensa
propaganda
aconselhando seu uso e, o que é pior, médicos
mal-informados
permitindo e incentivando o consumo do mesmo.
Temos
o exemplo do Dr. L. Rosenvold que, na pág. 22 do seu livro "Nutrition
for life", afirma o seguinte: O
açúcar branco é um alimento quase ideal, barato, limpo, branco,
portátil, imperecível, inadulterável, livre de germes, altamente
nutritivo, completamente solúvel, totalmente digerível, não
requer cozimento e não deixa resíduos. Seu único defeito é a sua
perfeição. É tão puro que o homem não pode viver dele.
Hoje
existem toneladas de livros escritos sobre nutrição; qualquer um
julga-se capaz de publicar algo no gênero.
O Dr. Rosenvold apontou apenas
duas verdades na frase acima,
que o açúcar é branco
e portátil...
O
maior absurdo da sua citação é que o açúcar é altamente
nutritivo...
Curioso
é que o açúcar só tem glicose, sendo pobre em tudo o mais...
O
Que Usar? Não Precisamos de Açúcar?
É necessário reaprender a sentir o sabor natural dos alimentos,
sem acrescentar nada.
Eventualmente
poderemos usar mel ou açúcar natural de cana, o mascavo, em
pequenas quantidades.
Percebemos que assim teremos
até mais energia do que o normal,
apenas por ter evitado desgastes excessivos com ingestão de
superabundância de energia química.
Apenas
os cereais integrais, as frutas, o legumes etc. têm a capacidade de
fornecer aquilo de que necessitamos.
No
caso de desportistas e pessoas que produzem desgaste físico, uma
certa quantidade de mel pode ser usada sem problemas.
No
caso de diabéticos e hipoglicêmicos, aconselhamos o acompanhamento
médico para evitar problemas mais sérios,
evitando inclusive orientadores naturistas e macrobióticos que não
tenham conhecimentos e experiência em termos de bioquímica e
fisiologia, fisiopatologia e clínica médica.
Para pessoas que não têm grandes problemas mas querem parar de
consumir açúcar, sugerimos
uma eliminação lenta, gradativa, porém consciente, de doces,
refrigerantes, sorvetes etc., até
adotar uma dieta mais natural e equilibrada.
Aproveitamos
para alertar que muitos alimentos industrializados e manipulados
possuem açúcar, muitos dos quais nem imaginaríamos, como: pão
branco comum, pão integral de supermercados, macarrão em pacotes,
enlatados, carnes condicionadas, biscoito e bolachas salgadas etc.
Para
aqueles que usam adoçantes artificiais, sacarina e ciclamatos,
aconselhamos abolir o hábito imediatamente, pois representam
produtos muito perigosos.
Apesar
da comprovação de que são substâncias cancerígenas, verbas
astronômicas são gastas por laboratórios interessados em pesquisa
do tipo: "Ainda
não conseguimos provar que adoçantes sintéticos não produzem câncer".
Em termos de história, relativamente recente, o homem aprendeu a
obter açúcar bruto (mascavo e amarelo), e somente nas últimas décadas
os países desenvolvidos começaram a produzir enormes quantidades
(dez mil toneladas) de açúcar branco refinado, contendo 99,75 por
cento de sacarose, tornando-o um reagente químico.
Lado
a lado com esta depuração houve um aumento no consumo de açúcar
branco atingindo, nos países altamente desenvolvidos, 100/140 g diárias
por pessoa.
Tornou-se tão letal, que o nutricionista britânico Dr. A. Yudtkrin
batizou seu livro sobre o problema de açúcar "Puro,
Branco e Mortal"
enquanto o Dr. Hall, cientista canadense, intitulou seu capítulo
sobre açúcar, "O
Vilão - Açúcar Refinado?.
Texto: Dr. Marcio Bontempo
rmbontempo@uol.com.br
http://www.drmarciobontempo.com.br/
Nota:
O Dr Márcio Bontempo é um dos congressistas com presença
confirmada no Iº Congresso Brasileiro de Evolução Espiritual -
Nova Petrópolis/RS em outubro desse ano - 2009